quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A voz da cegueira e a face do silencio
A curtos passos e longos caminhos se traça um destino.
Os olhos de nada mais servem do que simplesmente nos dar uma falsa impressao de que vemos alguma coisa,sofrimento,sofre-se com isso tambem.Sao poucos os passos, sao muitos os desprazeres e cresce o que nao é real, o que algum dia tentou ser algo de valor.Sao raros os pingos derramados, que caem sobre a calçada repleta de outros pingos nao faltosos de quem falseaia ou nao uma eterna angustia. A atitude é pobre, o grito é abafado e o socorro nao é ouvido.Nao se tem mais espelhos para se olhar, mas apenas neblina para se perder, e embaça o som e cega completamente o suplicio.Tudo fica branco nos nossos ouvidos e o silencio paira em nossa visao,acusando-nos de nossos descasos e das falsas visoes.
Onde estamos?Onde estao todos?Desespero já nao é mais novidade para ninguem, perdeu-se a graça do desespero.A solidao já nem sabe mais em quem confiar, por onde andar.A utilidade dos sentidos cai cada vez mais perdendo os sentidos.Quem anda por aí afora procurando aquilo do qual nunca viu,ou por quem nem conheceu?Pois a muito corre, parece que se perdeu,desprendeu-se e depois de tudo, escureceu. A escuridao é a bengala de quem tem olhos para enxergar, e a cegueira é a pedra que fica no caminho do cego para ele derrubar.Quem quer ver algo?Quem nao quer ver nada?
Que tipo de riqueza é realmente riqueza?
É certo que a reflexao nos limpa mais a vista,mas tambem nos afunda num mar profundamente de nos mesmos nos acorrentando em bolas de chumbo que nós mesmos damos peso a ela e nos mesmos damos vida a nossa morte.Nas circunstancias atuais parece imprevisivel a tempestade de areia que cobre nossos impulsos de vida, de nossos desejos de existir.
A mente poderosa como é, se perde em si mesma e pifa, e se envaidece,nao reconhece, e prefere continuar queimada.

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