quinta-feira, 10 de novembro de 2016


                                                          A tempestade

O mundo me trouxe para transmitir o som do inaudível e falar na língua dos elementos. 
Ouvir o sussurro do vento. Os desejos das águas e o bramido dos trovões. Os segredos do fogo e os olhares dos demais.
Eu vim para ser. Dizer que não devemos esquecer de nossa humanidade e nos retratarmos com ela. Ouvir os ecos perdidos, nos ouvidos que nos despertam na madrugada dos nossos devaneios. Nos guiamos por fantasmas, que conosco, trocam de lugar sem que percebamos.
Mas eu não vim sozinho. Eu não sou especial. Minha especialidade é exatamente fazer questão de lembrar que somos todos incomuns e necessariamente mortais.
Ouvir ao meditar, todos os gênios, e ver o que tem eles a nos dizer para nos guiar é essencial.
Não negar nossos gritos escondidos. Ignorar nossos gênios do caos é fugir sem atino. É olhar em uma única direção e não saber como se renovar. É construir prédio sobre prédio e não prevê o abalo que essa queda irá provocar. 
Há momentos de ouvir e há momentos de falar. Podemos desenvolver os sentidos e aprendermos a nos interpretar.

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